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SEGURANÇA PÚBLICA

Comandante Dan relaciona crimes recentes a quadro mais amplo de insegurança no Amazonas

18 Ago 2026

Comandante Dan relaciona crimes recentes a quadro mais amplo de insegurança no Amazonas

O assalto praticado por criminosos armados contra uma embarcação em Maraã, no interior do Amazonas, e a chacina que deixou quatro pessoas mortas em Manaus revelam problemas que vão além das ocorrências isoladas e exigem uma abordagem mais ampla da segurança pública. A avaliação é do deputado estadual Comandante Dan (Republicanos), presidente da Comissão de Segurança Pública da Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam).

No ataque ocorrido na madrugada de domingo (16), em Maraã, imagens de câmeras de segurança registraram criminosos armados invadindo uma embarcação e rendendo tripulantes. Os assaltantes aparecem apontando armas para as vítimas e cortando os cabos que mantinham o barco ancorado.

Em Manaus, a chacina deixou quatro pessoas mortas. Para Comandante Dan, além da violência do episódio, é preciso dar atenção ao contexto que teria motivado o crime e combater atividades ilícitas que alimentam outras formas de criminalidade.

“Deixamos de dar visibilidade ao fato delituoso que motivou o crime: a agiotagem. Oferecem dinheiro fácil a pessoas desesperadas, que ficam escravizadas pelas cobranças. Não vi ninguém falar sobre o agiota. Passamos pelas ruas da cidade e vemos anúncios de todo tipo de empréstimo nos postes. A agiotagem funciona como o tráfico de drogas: existe uma facilidade inicial para depois virem as cobranças pesadas”, afirmou o deputado.

Dan também fez uma analogia entre esse mecanismo e o crescimento do vício em apostas esportivas nas chamadas bets. Segundo ele, são fenômenos diferentes, mas que podem ter em comum a atração pela promessa de dinheiro ou solução financeira rápida, seguida de endividamento, dependência e consequências sociais que atingem não apenas o indivíduo, mas também sua família.

Para o parlamentar, o enfrentamento da insegurança exige, portanto, uma visão que alcance tanto os crimes violentos quanto os mercados e atividades ilegais que podem estar por trás deles. Nesse sentido, defendeu a retomada e o funcionamento efetivo das centrais integradas de fiscalização, modelo que, segundo ele, já apresentou resultados positivos em Manaus ao reunir diferentes órgãos públicos em ações coordenadas de controle e fiscalização.

“As centrais integradas de fiscalização são cases de sucesso que já implantamos em Manaus no passado e precisam funcionar. Segurança pública não é apenas colocar a polícia na rua depois que o crime aconteceu. É inteligência, fiscalização, integração e capacidade de identificar e atacar as causas e os ambientes que favorecem a criminalidade”, defendeu.

Comandante-geral da Polícia Militar do Amazonas entre 2008 e 2011, Dan vem defendendo a territorialização das políticas de segurança, com reforço do efetivo, inteligência, fiscalização e integração permanente entre as instituições.

Essa integração é objeto de iniciativa de sua autoria já transformada em lei. A Lei nº 7.376, de 14 de janeiro de 2025, estabelece diretrizes para o planejamento, a atuação coordenada, a gestão de riscos, os controles internos, a transparência e o uso de tecnologia entre os órgãos de segurança pública do Amazonas.

No ambiente fluvial, Comandante Dan é autor do Projeto de Lei Ordinária nº 1.027/2025, em tramitação na Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas. A proposta institui normas gerais para a atuação integrada da segurança pública em ambiente aquaviário, com foco no enfrentamento à pirataria nos rios e na coordenação das forças responsáveis pela proteção das extensas rotas fluviais amazonenses.

A vulnerabilidade dessas rotas também aparece nos ataques dos chamados “piratas dos rios” contra embarcações que transportam combustíveis. Levantamento divulgado neste mês aponta que, embora os roubos contra essas embarcações tenham diminuído na Região Norte no primeiro semestre de 2026, o Amazonas concentra cerca de 55% dos ataques a embarcações de empresas de combustíveis registrados ou estimados na região entre 2020 e 2026. Manaus, Coari e Humaitá aparecem entre os municípios mais atingidos.

Para Dan, os episódios recentes reforçam a necessidade de abandonar uma política baseada predominantemente na reação às ocorrências e avançar para um modelo preventivo e integrado.

“Não basta reagirmos depois da chacina, depois do assalto ou depois que uma embarcação é tomada por criminosos. Precisamos atuar antes, com inteligência, fiscalização, integração e presença do Estado. O Amazonas tem dimensões continentais e problemas diferentes na capital, no interior e nos rios. A política de segurança precisa compreender essa realidade como um todo”, afirmou.

Como presidente da Comissão de Segurança Pública da Aleam, Comandante Dan defende que o debate envolva efetivo e estrutura policial, combate às organizações criminosas, fiscalização de atividades ilícitas, prevenção e ampliação da presença do Estado em todo o território.

“Quando o crime consegue impor medo dentro de uma casa, numa rua de Manaus ou no meio de um rio do interior, a sensação para o cidadão é a mesma: insegurança. Precisamos enfrentar não apenas o crime consumado, mas também os ambientes e atividades que alimentam a violência”, concluiu.

Recentemente, Comandante Dan aprovou a criação, no Legislativo Estadual, da Frente Parlamentar em Defesa da Segurança Pública, Acesso à Justiça e Defesa Social, para ampliar a participação da Assembleia Legislativa em relação ao tema.

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